Subindo a ladeira, uma criança no colo, outra segura pela mão, a mulher segue na chuva. Eles não têm guarda-chuva, nem capa, nem cobertor. As gotas d’água não desviam, caem nos três, sobre cabeça e chinelo de todos. Água que molha o que há ali e o que resta de tudo que nunca houve.
Carros passam e desempoçam naqueles tipos as poças d’água do chão. A mulher seca o guri menor com a mão molhada, agarra junto a si o corpo do moleque maior. Passa as mãos no próprio rosto e segue subindo.
Só quem mora no morra sabe que nas ladeiras a água das poças não escoa morro abaixo.
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