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Eu, que nunca tive a vida mansa, canto na ânsia de amansar a vida...

10/04/2011

Saudades amontoadas, criando raízes nos breus . É há de mais chover, de mais acinzentar o dia. As saudades brotam gris, se escondem nos vãos do asfalto, se acumulam nas sarjetas... Se embriagam na lágrima da chuva, se alimentam da terra que soltou dos sapatos quando o caminho virou pegada e, cujo rastro, a chuva apagou. Saudade empilhada, saudade lama. Lágrima empoçada, chuva do meu eu. Há de mais chover nos rumos dessa estrada, há de haver a rama refolhada, o sol que renasceu. Há de haver mais passos, mais pegadas, mais gotas que azularão o céu. Há a vida de ser mais bem amada, com suas saudades recostadas. Há de ser menos cinza, menos breu. 

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