O fim nasceu já éramos só
pedaços de noites acesas
e dias dormidos inteiros.
A foto ficou sem nome
Ao sim careceu perguntas
Dos nãos só se ouviam ecos
na sala quase vazia.
Ainda tinham cobranças,
e as contas,
e os décimos de segundos,
eternos,
mergulhados no silêncio
do gole de chá
na bula dos remédios
no tédio da tv
falando pra ninguém.
O fim nasceu temporão
filho mais novo do caos
depois de um irmão solidão
e uma irmã covardia.
Anos de espera bordados
em pontos alinhavados
por agulhas que sangraram
mais que os dedos da mão forte
sem tato pra delicadezas.
O fim nasceu feio e magro
ancião e rabugento
depois de definhar
sonhos que esperavam cor
antes do anoitecer.
O fim nasceu era inverno
sol se pondo às 17h
pra acender noites inteiras.
O fim nasceu. Fez-se festa
Viva o fim!
E viveu.
Nenhum comentário:
Postar um comentário