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Eu, que nunca tive a vida mansa, canto na ânsia de amansar a vida...

28/07/2013

Entre o muro e trilho, uma moça caminha e chora. Além do muro, a favela. Sobre o trilho, o vão. Será que ela chora por mágoa ou por solidão? Será que era neblina? O que molhou o rosto da menina? Lágrima cortando a carne preta, e de dentro do trem ninguém viu. Negaram pra ela o olhar, negaram pra ela o Brasil. Na margem do trilho do trem, que carrega a margem também com as cores das dores que tem a menina chorando no frio. Quem sentiu!? Segue o trem, segue a margem. Sempre a margem, na margem do rio. E a dor quase nunca é sutil. Ninguém viu.

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